Desenvolvimento da Licenciatura em Engenharia Industrial
 

A licenciatura é organizada de forma coerente e coesa em torno de 9 áreas científicas e de uma experiência em projecto:
 
 

Áreas Científicas
Créditos
Ciências Básicas 
30
Ciências Básicas de Engenharia
24
Informática 
9
Projecto de sistemas e produtos
15
Processos de fabrico
15
Controlo, Automação e Robótica
12
Gestão empresarial 
12
Gestão industrial
12
Métodos de apoio à decisão
6
Projecto final 
15
Expressão verbal e escrita
3
Total
153

 

Descreve-se sumariamente os objectivos educacionais e conteúdos programáticos da diferentes áreas científicas.
 

Tendo em vista a importância do factor humano e a dimensão social e económica dos processos e das organizações, as ciências básicas relevantes à Engenharia Industrial tendem a ser menos quantitativas quando comparadas com outros ramos de engenharia. O engenheiro industrial não necessita de ser um especialista em Matemática "per se", desaconselhando-se assim um desnecessário "rigor matemático" em benefício do desenvolvimento de capacidades, nomeadamente: Dada a ênfase tecnológica do presente curso mantêm-se, no entanto, um currículo básico em Matemática onde se aborda os temas principais da análise, cálculo, álgebra linear, equações diferenciais e métodos computacionais. A área da Matemática é complementada com formação em métodos estatísticos que se enquadra no contexto das técnicas de apoio à decisão, aproximando assim esta área das aplicações a problemas industrias.

Ainda no âmbito das ciências básicas inclui-se a formação em Química, versando a estrutura atómica e molecular, reacções químicas e electro-química dando assim os fundamentos para o conhecimento das propriedades dos materiais em geral, metais e polímeros e dos fenómenos de corrosão.

A área das ciências básicas completa-se com a formação básica em Física onde são abordados os princípios e leis das interacções fundamentais da natureza, em particular, sobre partículas e campos, mecânica, óptica e electromagnetismo.

A área das ciências básicas constitui-se assim numa componente de índole marcadamente formativa com o objectivo de obter de forma integrada, e com recurso à matemática, informação quantitativa sobre os sistemas da natureza.
 

As ciências básicas de engenharia fundamentam-se na matemática e nas restantes ciências básicas e introduzem conhecimentos adicionais necessários a aplicações criativas. Esta área estabelece a ligação entre a matemática/ciências básicas e a prática de engenharia. No espectro largo da Engenharia Industrial as áreas de Materiais, Termodinâmica, Mecânica Aplicada, Mecânica dos Fluidos, Electrónica e Electrotecnia e as questões de Energia e Ambiente constituem um elenco equilibrado com uma componente de formação adequado à formação liberal, própria de uma licenciatura que abrange diversos ramos de engenharia. Esta área ocupa-se do desenvolvimento de conhecimentos tecnológicos e capacidades profissionais sobre a utilização de sistemas de informação para comunicação, processamento e aquisição de dados e para o cálculo científico em actividades de construção de modelos virtuais de processos, produtos e sistemas e respectiva simulação. Nesta área científica o aluno adquire conhecimentos sobre os princípios de desenvolvimento de algoritmos e experiência e de programação em linguagens modernas e familiariza-se com as modernas tecnologias de utilização de sistemas de informação para suporte de diversas actividades e funções próprias da actividade industrial. Em países desenvolvidos é a capacidade de conceber produtos superiores que funciona como vantagem competitiva.

Esta área envolve as modernas metodologias de concepção, desenvolvimento e simulação de novos produtos com recurso a ferramentas de prototipagem, modelação e simulação assistidas por computador. Esta área envolve uma sequência coerente de temas abordando as técnicas de desenho de especificação de produtos, a representação gráfica de sistemas, a mecânica dos materiais, vibrações e dinâmica e a utilização do método de elementos finitos enquadrados em ambientes integrados de CAD/CAE. Serão igualmente abordadas as metodologias e conceitos aplicáveis ao projecto e desenvolvimento de produtos e a sua aplicação ao estudo de problemas concretos com particular atenção aos problemas da qualidade, fiabilidade, manutenção e tempo de desenvolvimento.
 

As tecnologias dos modernos processos de fabrico e as diferentes condições de operação tem em vista o produção a custos mínimos com elevada qualidade.

Os processos de fabrico possuem uma grande importância na sociedade em geral e na engenharia em particular, merecendo um lugar de destaque na formação de um vasto conjunto de profissionais de engenharia.

A área científica dos processos de fabrico do curso de engenharia industrial é estruturada, com o objectivo de fornecer aos futuros engenheiros industriais bases teóricas sólidas, para que estes sejam capazes de compreender, formular, resolver e gerir a diversidade de problemas de natureza conceptual e produtiva, com que se irão deparar nas empresas onde irão exercer a sua actividade profissional.

Em Portugal o tecido industrial é caracterizado por 90% de PMEs responsáveis por cerca de 80% da capacidade empregadora, estando a grande maioria destas empresas dirigida para o fabrico a partir de projectos que na generalidade dos casos não são elaborados na empresa.

Nestas condições, e procurando ir ao encontro do perfil esperado para o Engenheiro Industrial esta área científica estrutura-se em torno das seguintes sub-áreas: (i) Introdução aos processos de fabrico, (ii) Processos de deformação plástica, (iii) Processos de maquinagem, (iv) Processos de ligação e (v) Processos de fundição e de transformação de materiais não metálicos.

O estudo dos processos de fabrico tem características pluridisciplinares que exigem dos formandos conhecimentos de engenharia em domínios muito diversificados, dos quais se evidenciam, pela sua importância, o da termodinâmica, o dos materiais, o da mecânica de sólidos, o da gestão industrial e o da automação.

A primeira das disciplinas propostas destina-se a enquadrar esta área científica no âmbito da engenharia industrial e, no essencial, fornecer os conhecimentos básicos necessários ao estudo das matérias subsequentemente leccionadas nesta área científica.

O conteúdo programático das restantes disciplinas, é elaborado de modo a que os processos de fabrico, cuja génese é semelhante, sejam agrupados na mesma disciplina e tem por finalidade, cada um deles, apresentar os respectivos fundamentos teóricos, analisar os principais parâmetros de operação, discutir as aplicações industriais típicas e descrever os equipamentos mais utilizados em cada um dos casos.
 

O domínio das técnicas da engenharia do controlo, automação e robótica é uma condição indispensável para a modernização da indústria. Para intervir num ambiente industrial caracterizado por uma sofisticação crescente, é fundamental preparar recursos humanos capazes de tornar essa intervenção eficaz. Esta área científica desempenha uma papel fundamental de ligação os métodos de engenharia e os métodos de gestão. Esta área científica faz a ligação entre o nível hierárquico mais baixo da produção industrial, ou seja, os processos produtivos propriamente ditos, e os níveis hierárquicos mais altos, os quais se traduzem em decisões de pura gestão.

Esta ligação é estabelecida utilizando conceitos básicos da teoria de controlo de processos, suportada por técnicas de modelação e identificação de sistemas. Muitas das técnicas aplicam-se não só a processos de fabrico mas também a modelos económicos e de gestão. O suporte de toda a cadeia hierárquica definida é composto pelos processos físicos que constituem os métodos de engenharia, pelos sinais que deles advêm e que permitem fazer a sua monitorização, controlo, supervisão e planeamento.

Esta área científica estrutura-se em torno das sub - áreas: Aquisição e Processamento de Sinais, Automação Industrial, Controlo de Processos, Modelação Avançada de Sistemas e Robótica Industrial

Este conjunto de disciplinas pretende proporcionar aos alunos uma formação sólida nos domínios do controlo, automação e robótica, de modo a torná-los capazes de observar um processo industrial e analisá-lo identificando as suas características fundamentais. Desta forma, um Engenheiro Industrial será capaz de controlar sistemas recorrendo às mais modernas técnicas, incluíndo as chamadas "inteligentes", as quais estão associadas à área de soft computing, que tem vindo a ter um aumento significativo de aplicação industrial.
 

Esta área científica aborda a dimensão humana, social e económica dos processos, das organizações e das empresas.

O objectivo das disciplinas desta área disciplinar é fornecer aos alunos os instrumentos para lidar com os principais problemas de decisão económica que se põem na empresa. Para além de uma introdução geral, onde se apresentam as diferentes áreas funcionais da empresa as disciplinas desta área tratam dos problemas de análise de custos industriais e da avaliação de projectos de investimento, do posicionamento da empresa face ao mercado e à concorrência e das questões da organização interna da empresa e dos problemas de motivação e gestão de incentivos dentro da empresa.
 

Esta área tem como objectivos genéricos a formação de engenheiros com capacidade para projectar, dimensionar, instalar sistemas produtivos. Inclui ainda a formação sobre métodos de planeamento, coordenação de execução de projectos e operações, bem como técnicas de controlo, avaliação e gestão da produção. As metodologias de organização da produção são introduzidas com o apoio a modernos métodos de investigação operacional e estatística. Modernas técnicas de planeamento e controlo de produção serão introduzidas, nomeadamente MRP I, MRP II, JIT e OPT. Pretende-se igualmente incutir aos alunos uma atitude de gestão para a qualidade total, do ponto de vista organizacional e técnicas da qualidade abordando a temática normativa e de certificação assim como a utilização de ferramentas de qualidade. As disciplinas desta área tratam de métodos quantitativos de apoio à decisão empresarial. Os tópicos analisados incluem os métodos multivariados de síntese de informação, os métodos de previsão e métodos da teoria de decisão. São ainda analisados métodos de modelização e optimização, bem como de simulação de processos industriais. É dado grande ênfase em todas as disciplinas deste grupo à forma como estes métodos são aplicados para a resolução de problemas industrais. Embora não integrada em nenhuma área científica específica o desenvolvimento de capacidades de expressão verbal e escrita é iniciado na forma de uma disciplina obrigatória colocada no início do curso e com estatuto igual a qualquer outra disciplina. Nesta disciplina os alunos desenvolverão, com diversos ensaios, as técnicas de leitura e expressão verbal em ambientes públicos, bem como estratégias e técnicas de composição, estruturação e desenvolvimento da expressão escrita em documentos e apresentações profissionais. Este esforço educativo deve ser continuadamente assegurado ao longo do curso.


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